O programa de enriquecimento ambiental do Gramadozoo entrou no clima da Copa do Mundo. O objetivo das atividades temáticas é preservar o bem-estar animal por meio de elementos que despertam a curiosidade e incentivam comportamentos naturais da espécie. Com a chegada das baixas temperaturas do inverno, o programa foca em atividades para aquecer os animais. Além de jogar futebol, as onças do zoo estão estimulando a interpretação de palpites para os resultados dos jogos da Seleção Brasileira no Mundial de Futebol.
Na atividade de adivinhação, a equipe coloca duas caixas de papelão com iscas de carne. Numa delas, vai a bandeira do Brasil e, na outra, a bandeira do país adversário. Após acertar todos os resultados do Brasil na Copa de 2022, a dinâmica com a fêmea de onça-pintada foi reeditada em 2026 e os primeiros “palpites” não foram muito animadores para a Seleção de Carlo Ancelotti. Nas duas primeiras partidas, a onça escolheu as caixas das equipes adversárias.
Em atuação sem brilho na estreia, o Brasil saiu perdendo para o Marrocos e buscou o empate. Para a partida desta sexta-feira (19), contra o Haiti, a “previsão” também é de dificuldades. Durante a brincadeira, a onça cheirou a caixa do Brasil num primeiro momento, mas logo abocanhou a caixa do adversário. “Não há evidências científicas de que a onça-pintada possua algum tipo de capacidade sensitiva para prever acontecimentos, como o resultado de uma partida de futebol. O que observamos durante essas atividades são comportamentos naturais de exploração e interação com os estímulos oferecidos”, explica a bióloga Tathiana Gosaric de Barros, responsável técnica do Gramadozoo.
Para a bióloga, as atividades são encaradas de forma lúdica e educativa. “A diversão está justamente em acompanhar a escolha do animal e imaginar um palpite para o jogo, sabendo que, para a onça, trata-se apenas de uma oportunidade de enriquecimento ambiental”, pondera.
Já na dinâmica com a onça-preta, a equipe utiliza uma bola gigante com pedaços de carne inseridos em aberturas estrategicamente distribuídas. Para acessar o alimento, a fêmea precisa empurrar, girar, agarrar e manipular a estrutura. No futebol felino, o animal segura a bola com as patas dianteiras e interage de maneira semelhante ao que faria ao conter uma presa, tornando a atividade ainda mais rica do ponto de vista comportamental. “O desafio estimula a resolução de problemas, a coordenação motora e a atividade física, além de reproduzir aspectos importantes do comportamento predatório natural, em que o alimento não está prontamente disponível e exige esforço para ser obtido”, diz.
Para Tathiana, a temática da Copa do Mundo agrega um componente educativo e de aproximação com o público. “Para o público, é uma dinâmica divertida inspirada no futebol. Para as onças, é uma oportunidade de exercício físico, estímulo mental e expressão de comportamentos naturais”, conclui.

