A prevenção ao uso precoce de álcool, cigarros eletrônicos e outras substâncias passa, antes de tudo, pelo ambiente familiar. Com essa mensagem, o professor e pesquisador Dr. Luís César de Castro, coordenador do Departamento Científico do Programa Vida+Viva, conduziu um encontro com pais e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Bosco, em Lajeado, na noite desta terça-feira (7).
A atividade integrou a nova etapa das atividades dos projetos Vida+Viva Sem Álcool e Adolescente Legal com Música, desenvolvidos pela Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública (ALSEPRO), com apoio do Fundo Sementes, da ONG Parceiros Voluntários.
Segundo o Dr. Castro, ao longo de mais de 14 anos de pesquisas e diagnósticos realizados em municípios do Vale do Taquari, ficou evidente que apenas conversar com crianças e adolescentes não é suficiente.
"Boa parte dos diagnósticos mostrou que precisávamos interagir também com os pais. Essencialmente, os hábitos das crianças e adolescentes são construídos dentro de casa, e refletem aquilo que elas observam, diariamente", explicou.
Durante o encontro com pais e professores, o pesquisador apresentou dados que acendem um alerta sobre o início cada vez mais precoce do consumo de álcool e da experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar. Conforme levantamentos realizados pelo programa em municípios da região, entre 20% e 25% dos adolescentes de 12 a 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos.
Para o especialista, quanto mais cedo ocorre esse contato, maiores são os riscos de dependência e de prejuízos ao desenvolvimento neurobiológico, especialmente em áreas responsáveis pela "tomada de decisões", "resolução de problemas", "autocontrole" e "planejamento".
Além dos dados científicos, Dr. Castro reforçou que o papel da família vai muito além da orientação sobre drogas. Segundo ele, crianças e adolescentes precisam crescer cercados por "afeto", "apoio" e "limites claros".
"Os jovens precisam de três coisas fundamentais: ouvir e perceber que são "amados", sentir que têm "apoio" para crescer com segurança e confiança, além de receber os "limites" necessários. Esses limites fazem parte do desenvolvimento saudável e são essenciais para a proteção dos adolescentes", destacou.
Outro ponto abordado foi a importância da presença da figura paterna. Conforme pesquisas desenvolvidas pelo programa, desde antes de 2012, a participação do pai ainda é reduzida em muitas famílias, embora tenha papel decisivo na construção dos fatores de proteção durante a adolescência.
O encontro reuniu pais e professores da escola e abriu espaço para perguntas e diálogo sobre os desafios enfrentados pelas famílias na educação dos filhos. As escolas que tiverem interesse em solicitar atividades dos projetos da Alsepro podem entrar em contato pelo telefone (51) 98049-2966 ou pelo e-mail proseguranca@acilajeado.org.br.

