As rápidas transformações da economia mundial; os novos movimentos geopolíticos; a reorganização das relações comerciais entre as grandes potências e os desafios estruturais enfrentados pelo Brasil exigem das empresas uma capacidade cada vez maior e mais ágil de adaptação e planejamento estratégico, como também mudanças de rumo, tendências e ideologias. A avaliação foi apresentada pelo empresário e diretor de Relações Institucionais da Randoncorp, Joarez José Piccinini, durante a tradicional Reunião-Almoço promovida pela Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio (Cacis) de Estrela, realizada nesta sexta-feira (24), na Società Italiana Fiori dei Piani.
Reunindo mais de 140 empresários, lideranças e representantes de diversos setores da região, o encontro teve como tema "Cenários macroeconômico e geopolítico", propondo uma reflexão sobre como acontecimentos internacionais, políticas econômicas, avanços tecnológicos e mudanças institucionais e climáticas influenciam diretamente o ambiente de negócios, inclusive nas empresas do interior do Rio Grande do Sul. Diretor de Relações Institucionais da Randoncorp (multinacional referência global em transporte com mais de 34 unidades industriais e presença em mais de 125 países de todos os continentes); de Planejamento, Economia e Estatística da CIC Caxias do Sul e da Ciergs/Fiergs; Piccinini destacou que as organizações vivem um momento em que decisões tomadas em qualquer parte do mundo passam a produzir impactos praticamente imediatos sobre cadeias produtivas, investimentos, custos, comércio internacional e competitividade.
Também membro dos Conselhos da Amcham (entidade multissetorial do País e maior Câmara Americana de Comércio fora dos EUA), da Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul) e do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do RS (Setcergs), o especialista apresentou um panorama das principais transformações econômicas das últimas décadas, e de como a reorganização das relações comerciais globais, a disputa tecnológica entre grandes potências e os novos movimentos geopolíticos vêm alterando profundamente a economia mundial. Utilizando séries históricas, comparativos nacionais e internacionais, demonstrou que as mudanças exigem uma leitura constante dos cenários para antecipar tendências e reduzir riscos. “Compreender essas transformações deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes multinacionais e tornou-se uma necessidade para organizações de todos os portes”, avalia.
Instituições fortes impulsionam o desenvolvimento
Um dos momentos centrais da palestra abordou o papel das instituições na construção de economias competitivas. Piccinini utilizou exemplos das diferenças de desenvolvimento entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, Alemanha Ocidental e Oriental, além das trajetórias de países como Cuba e Venezuela, na contramão da China, para demonstrar como a estabilidade institucional, segurança jurídica, respeito às regras e abertura econômica influenciam diretamente o ambiente de investimentos e o crescimento sustentável. “A prosperidade econômica não depende apenas da disponibilidade de recursos naturais, mas também da qualidade das instituições e da previsibilidade oferecida ao setor produtivo.”
Brasil reúne potencial, mas enfrenta desafios históricos
Ao direcionar a análise para o cenário nacional, Piccinini destacou que o Brasil possui uma das maiores economias do mundo e reúne vantagens competitivas importantes, mas ainda convive com obstáculos estruturais que limitam sua capacidade de crescimento. Entre eles, citou a elevada carga tributária, o chamado Custo Brasil, gargalos logísticos, baixa produtividade, elevados encargos trabalhistas, desafios na educação, infraestrutura insuficiente e insegurança jurídica. Apresentou indicadores relacionados às contas públicas, dívida do governo, investimentos, ressaltando que a superação desses entraves representa uma das principais agendas para ampliar a capacidade de desenvolvimento econômico do país. “Não existe dinheiro público; existe apenas dinheiro do Pagador de Impostos”, disse, ao destacar histórica citação de Margareth Tatcher. “Todos querem viver às custas do Estado. Eles esquecem que o Estado vive a custas de todos”, afirmou, ao parafrasear Frederic Bastiat.
Oportunidades permanecem abertas
Apesar do diagnóstico dos desafios, a palestra teve um tom otimista ao destacar que o Brasil reúne condições únicas para ampliar sua presença no cenário internacional. Entre os principais diferenciais apresentados estão a força do agronegócio, a elevada participação das energias renováveis na matriz energética brasileira, a disponibilidade de recursos minerais estratégicos, as reservas de petróleo, o potencial de expansão da infraestrutura e as oportunidades abertas pela crescente demanda mundial por alimentos, energia e minerais críticos. “O desafio é, diante de um momento de incerteza, inclusive política, transformar esse potencial em desenvolvimento. Mas empresas preparadas conseguem identificar oportunidades antes da concorrência, adaptar modelos de negócio, investir com maior segurança e responder de forma mais eficiente às mudanças de mercado”, finalizou.
Bastidores
A Reunião-Almoço contou ainda com a agenda na entidade, explanações de parceiros e divulgação de novos sócios.
O evento integra a programação permanente da entidade que, em 2026, conta com o apoio de seus patrocinadores máster: Brasilata, BRDE, Casa Americana Estrela-Lajeado, CDL Porto Alegre, Dale Carnegie, Dinna, Eidt Empreendimentos Imobiliários, Falara – Gestão de Marcas, Gardel Imóveis, Grupo A Hora, Grupo Medical San, Imobiliária Gewehr, Launer Química, Nexsul Conectividade, Rakel Miorando – Corretora Franqueada da Prudential do Brasil, RSData, Sicredi, Tecnosom, Unimed – Vales do Taquari e Rio Pardo e Univates.

