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COLUNISTA |
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“Tu é a melhor… Mas tem um problema.” |
Eu tinha por volta de 22 anos e trabalhava na indústria calçadista como cronoanalista. Era apaixonada pelo que fazia e acreditava que bastava entregar um trabalho de excelência. Na minha cabeça, competência era suficiente.
Até o dia em que meu líder se despediu da empresa.
Antes de ir embora, ele passou na minha mesa, me olhou e disse:
“Raquele, trabalho contigo há anos. Não conheço, na região, um cronoanalista que faça um trabalho como o teu. Tu é a melhor… mas tem um problema: tu não sabe se vender.”
Aquelas palavras me desconcertaram.
Como assim me vender?
Eu não era vendedora. Trabalhava na indústria. Meu papel era fazer um bom trabalho, não aparecer.
Levei anos para compreender o verdadeiro significado daquela frase.
Hoje entendo que ele não estava falando sobre vender um produto. Estava falando sobre vender confiança.
Porque ninguém compra um produto ou um serviço antes de comprar a pessoa que está por trás dele.
As pessoas compram credibilidade. Compram valores. Compram verdade. Compram conexão.
Só depois compram aquilo que você oferece.
Talvez por isso existam tantos profissionais extraordinários esperando serem descobertos, enquanto outros, nem sempre os mais preparados, conquistam espaço porque aprenderam a mostrar quem são.
Não estou falando de vaidade. Nem de parecer o que não se é.
Estou falando de autenticidade. De deixar que as pessoas conheçam quem você é, no que acredita e por que faz o que faz.
A competência continua sendo indispensável. Mas ela, sozinha, nem sempre é suficiente.
Na vida e nos negócios, as pessoas se conectam com pessoas.
E aquela frase, ouvida há mais de vinte anos, continua fazendo sentido para mim.
Porque, antes de comprarem o que você vende, elas precisam comprar você.
Beijo no coração!
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