COLUNISTA
QUE TEMPOS SÃO ESTES?
   
Uns colocam em primeiro lugar a estabilidade econômica e financeira, outros colocam o estômago e depois a moral, onde um pão e um gole de leite são vitórias! Pois o combate diurno é o alimento noturno

Por Jaime Folle
08/10/2026 16h10

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem” (Bertolt Brecht).

Com as sábias palavras do mestre Brecht, me insiro neste comentário para fazer uma reflexão sobre que tempos são estes que estamos vivendo? Por um lado, observamos que a vida é curta e por outro observamos que o dinheiro também. E a minha reflexão se insere no contexto de uma sociedade moldada em cima do acúmulo por um lado e do ter para a sobrevivência de outro lado.

De um lado se teme a morte pelo vírus e a angústia de deixar o que acumulou e construiu por aqui, e na margem destes estão aqueles que não temem o vírus, mas temem a vida insuficiente e vivem sempre na angústia do ter algo para a sobrevivência ao nascer do sol e esperar que um dia uma recompensa chegue dos céus.

Uns colocam em primeiro lugar a estabilidade econômica e financeira, outros colocam o estômago e depois a moral, onde um pão e um gole de leite são vitórias! Pois o combate diurno é o alimento noturno.

De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida que estamos vivendo nestes tempos de pandemia. Afinal, que tempos são estes, onde um vírus tão pequeno consegue desmontar grandes estruturas governamentais, derrubar uma economia planetária de países extremamente poderosos e fazer combalir a segurança tão armada que foi construída em cima deste miserável planeta?

Será que diante de tudo isso, alguém se lembraria do célebre sermão da montanha e consiga refletir um pouco o quão insignificante somos diante do poder do Criador. Jesus, em vez de concentrar sua fala na sabedoria, no ter e ou na força do poder, concentrou-se naqueles que mais sofrem e são a parte viva de uma sociedade esquecida.

Que tempos são estes em que o mundo virou de cabeça para baixo, onde tivemos que nos aprisionar em cadeias domiciliares e com isso fazermos parte de dois tipos de sociedade, tão ínfimos diante de uma situação inusitada que por um lado tem o conhecimento da ciência e o poder da imprensa que manda ficar preso em casa e do outro a oposição do ser quase que perdendo a cabeça por um mal-estar econômico de prisioneiros arruinados economicamente.

Pelo bem ou pelo mal, estamos cada um tirando suas conclusões de como seguir a vida no pós-crise, porém se tudo isso não servir como lição, precisamos algo mais forte como um novo dilúvio.

Até a próxima!

   

  

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